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Fabricantes de produtos de limpeza apostam em consumo consciente

Na esteira da crescente conscientização do consumidor brasileiro a respeito do tema sustentabilidade, a indústria de produtos de limpeza vem reforçando o portfólio de itens que agridem menos o meio-ambiente. Se antes esses produtos eram fabricados basicamente por empresas menos tradicionais, hoje já é possível encontrar opções dos gigantes do setor, como Unilever e Procter & Gamble.
04/02/10
Fonte: Juliana Kirihata, iG São Paulo (09/01/2010)

noticias_produtos_limpeza_24.02.2010.jpgPesquisa inédita da ESPM revela que 76% das pessoas das classes A, B e C têm interesse em comprar produtos de uma marca que esteja envolvida em questões ambientais, ainda que o preço seja um pouco mais elevado. Motivo forte o suficiente para estimular o desenvolvimento de novos produtos com foco em sustentabilidade.

Linha ecológica da Ingleza levou quatro anos para ser desenvolvida

Em 2008, a Unilever lançou o Comfort Concentrado, que usa menos água, energia e plástico em sua composição. Já o sabão em pó Ariel Ecomax, desenvolvido pela Procter & Gamble e comercializado exclusivamente na rede Walmart, utiliza 30% menos água por fazer menos espuma durante as lavagens. A 3M, por sua vez, anunciou a substituição de solvente por um adesivo à base de água em toda a linha de esponjas Scotch-Brite, além da utilização de fibra reciclada de garrafas PET.

Vice-presidente da Ingleza , tradicional empresa mineira de produtos de limpeza, Antônio Novaes aposta na recém-lançada linha Amo o Verde para conquistar consumidores nas capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo, mercados em que a Ingleza tem pouca participação.

Ele conta que o desenvolvimento da Linha Amo o Verde tomou quatro anos de trabalho. Além de utilizar matérias-primas biodegradáveis, os produtos não foram testados em animais e as embalagens são feitas de material reciclado. “Fizemos uma série de pesquisas em países da Europa para conhecer as leis em que se baseiam para criar estes itens”, diz.

Empresa com maior número de produtos de limpeza listados no catálogo sustentável do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Cassiopeia foi uma das precursoras desse movimento. Dona da linha Biowash, elaborada com produtos biodegradáveis à base de coco de babaçu e aloe vera, a Cassiopeia projeta para 2010 um aumento de 20% na receita da linha, puxado pelo “contínuo aumento de conscientização da população quanto à importância da proteção ao meio ambiente”.

Preço pode barrar consumo
Mas, apesar do crescente interesse das pessoas por produtos verdes e da disposição das empresas em investir no segmento, os preços geralmente mais altos das linhas sustentáveis dificultam o aumento deste tipo de consumo. “O mercado está achando que é o consumidor que tem que ser consciente e pagar mais, mas é a empresa que precisa absorver os custos”, afirma Fábio Mariano, professor em Ciências do Consumo Aplicadas da ESPM. Na opinião de Mariano, as empresas erram em apostar que a escolha pelo produto ocorra somente por ideologia.

Consumidores estão mais conscientes

Novaes, da Ingleza, faz coro com o professor. “As pessoas simpatizam com o produto. Mas, no momento da compra, elas olham o preço”, diz. A Amo o Verde é em média 5% mais cara do que linhas normais, diferença que, segundo Novaes, não chega a pesar no bolso do consumidor. Com os novos produtos a preços competitivos, a empresa espera que em quatro anos a linha verde aumente em R$ 30 milhões o faturamento da marca, representando 30% do valor total. “O objetivo é crescer e inspirar as pessoas a investirem mais no verde. Não só nós, como também a concorrência”.

Novaes afirma ainda que a tendência é de que todos os produtos da Ingleza sejam sustentáveis, mas admite que o processo será lento, já que, além do fator ecológico, é preciso que o preço seja acessível. “Estamos desenvolvendo novos produtos que ainda não se tornaram viáveis  porque seriam mais caros ou porque não são tão eficientes quanto os normais”.

A socióloga Maria de Fátima Portilho, autora do livro "Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania", acredita que o processo de conscientização vai demorar a ocorrer de forma efetiva no País. “As práticas de compra sempre foram vistas como individuais, de certa forma alienadas do contexto coletivo”, afirma. Mas, o cenário começa a mudar, de acordo com a socióloga. “Cada vez mais a chamada ‘ambientalização’ aparece nos discursos e nas práticas de consumo”.
 
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